segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

RELUTÂNCIA (Carlos Celso Uchôa Cavalcante-11/fevereiro/2013)


RELUTÂNCIA

             (Carlos Celso Uchôa Cavalcante-11/fevereiro/2013)

A vidraça da janela pelo orvalho marejada,
Em silêncio a madrugada, desperto, lembro-me dela,
Imagino a passarela na qual farei caminhada
A vagar buscando nada do que a mente interpela.

Nesse trajeto distante que já comecei fazer
Guiado por meu sofrer sigo um caminho errante
Nada mais é deslumbrante, já me sinto fenecer,
Na loucura do querer poder vê-la insinuante.

Mas esse desejo insano que judia do meu ego
É o que me deixa cego e me faz um ser profano
Sem enxergar o engano nem o mal ao qual me entrego.

Se ela partiu, foi embora, para nunca mais voltar!
Então, porque procurar? Algo que não mais aflora,
O meu eu que sofre e chora é que tem que acostumar.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013


LEMBREI D’AVÓ MARCOLINA

(Carlos Celso Uchôa Cavalcante-29/janeiro/2013)

Com minha avó Marcolina
Muitas vezes conversei
Hoje dela me lembrei
De forma bem genuína.

Pareceu-me estar presente
Falando à sua maneira
Ao reclamar brincadeira
Quando dizia, “oxente!”.

Nesse “oxente” ficava
Eu também obedecia
E minha avó se calava.

Muito carinho me deu,
Perdi parte da alegria
Depois que vovó morreu.

MEU TEMPO (Carlos Celso Uchôa Cavalcante-30/jan./2013)


MEU TEMPO

(Carlos Celso Uchôa Cavalcante-30/janeiro/2013)

Personagem do passado, do tempo de antigamente,
Até me sinto contente se me chamar de quadrado;
Posso até ser antiquado, mas sei que sou diferente,
Também sei que sou decente ao olhar tudo ao meu lado.

Sou do tempo em que o idoso de todos tinha o respeito,
Não negavam seu direito, num clima bem amistoso;
Tempo que lhe fez ditoso, sem esse vil preconceito,
Que se vê hoje em trejeito de modo não respeitoso.

Sou do tempo em que o amor realmente existia
E num clima de alegria todos tinham seu valor,
Pedia-se, por favor, com boa tarde ou bom dia,
Respeitando a senhoria, fosse senhora ou senhor.

Sou do tempo em que os filhos pediam benção do pai
Ação que hoje se esvai provida de empecilhos
Uma vivência sem brilhos na família se contrai
A compostura decai como um vagão cai dos trilhos.

Sou do tempo em que a decência se irmanava à lealdade
Tempo que de honestidade não se sentia carência
Tempo que obediência não escolhia idade
Tempo em que a verdade tinha sua evidência.

Esse é o tempo já ido que posso dizer foi meu
Quem também nele viveu não pode estar esquecido
Qual um pássaro ferido sem achar o ninho seu
Porque de tudo esqueceu num presente corrompido

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

TRAZ CONTIGO, ANO NOVO ! - Carlos Celso Uchoa Cavalcante


TRAZ CONTIGO, ANO NOVO !

(Carlos Celso Uchoa Cavalcante-31/dezembro/2012)

Traz contigo, ano novo, paz, amor, prosperidade,
Sobre a humanidade derrama bênçãos trazidas
Ilumina nossas vidas com divina claridade
Vindas da eternidade, do Deus das causas perdidas.

                             Traz contigo, ano novo, o dom do entendimento,
                             Para que o sofrimento causado pelo insensato
                             Seja banido de fato e possamos ter alento
                             E também ver alimento sobejar em nosso prato.

Traz contigo, ano novo, harmonia para os lares,
Sintonias estelares alumiando os entes
Interagindo contentes em solidária doçura.

                            Traz contigo, ano novo, os princípios singulares,
                            Das ações preliminares que nos façam eminentes
                            Em posições consistentes emanar nossa candura

LEVA CONTIGO, ANO VELHO ! - Carlos Celso Uchoa Cavalcante


LEVA CONTIGO, ANO VELHO!

(Calos Celso Uchoa Cavalcante-30/dez./2012)

Leva contigo, ano velho, as tristezas,
Para que venha, o ano novo, com alegrias,
A paz que falta, ha muito tempo, em nossos dias,
O pão que falta, neste mundo, em tantas mesas.

                                     Leva contigo, ano velho, a insegurança,
                                     A impunidade que trucida nosso povo
                                     Para que possa se fazer viva de novo
                                     No ano novo, em nosso ego, a esperança.

Leva contigo, ano velho, a incompetência,
De todo aquele dono de uma sapiência
Que só aplica em prol dos benefícios seus.

                                     Leva contigo, ano velho, esse lamento,
                                     Que nos meus versos te expressa sofrimento
                                     E se puderes, conta tudo para Deus!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

CARTA EM VERSOS (Carlos Celso Uchoa Cavalcante-21/dez/2012)


               CARTA EM VERSOS

                             Carlos Celso Uchoa Cavalcante
                                       (21/dezembro/2012)

Os olhos com os quais te vejo
São olhos apaixonados
Olhos que enamorados
Faz despertar meu desejo
Ainda emana lampejo
Apesar da minha idade
Levarei essa vontade
Até meu último arquejo.

                             Uma vontade infinita
                             Desde os primórdios da vida
                             Hoje bastante crescida
                             Que me levar à desdita
                             Vendo-te assim mais bonita
                             Ao passar de cada ano
                             Não aceito o desengano
                             Pois, por ti, meu peito grita.

Vivíamos lado a lado
Éramos adolescentes
Na época inocentes
Porque hoje está mudado
Nunca fui teu namorado
Mas o desejo era forte
E te juro até a morte
Serei teu apaixonado.

                              Não sei se por inocência
                              Não sabias que te amava
                              Ou se até repudiava
                              A deprimente carência
                              Que marcou minha existência
                              Por esses anos na vida
                              Inflamando essa ferida
                              De um peito em dependência.

Talvez hoje seja tarde
Para a minha confissão
Mas não para um coração
Cujo dono foi covarde
Se sujeitando ao alarde
De uma vida corriqueira
Incendiando a fogueira
Que de amor no peito arde.

                                Antes que daqui eu parta
                                Se não sabes te confesso
                                Que na vida meu excesso
                                Foi essa paixão tão farta
                                De um regime qual Esparta
                                Comparando os tons perversos
                                Das dores que nos meus versos
                                Deixar-te-ei como carta.



domingo, 4 de novembro de 2012

SETENTA (acróstico) Carlos Celso Uchôa Cavalcante


SETENTA
(ACRÓSTICO)

Carlos Celso Uchôa Cavalcante
(04/Nov./2012-dia do meu aniversário)


          S ão sete décadas já completadas
          E m meu caminho ao desconhecido
          T rago na mente um passado ido
          E m tantas variantes caminhadas
          N ostálgicos, meus dias, mas ufanos,
          T rago no ego, vivas, tatuadas,
          A s boas vindas dos setenta anos.