sábado, 2 de novembro de 2013

SETENTA E UM ANOS

SETENTA E UM ANOS
(completados em 04/11/2013)

(Carlos Celso Uchôa Cavalcante=16/outubro/2013)


S ão tantas coisas que a vida mostra
E xemplifica, faz a gente ver,
T antos momentos em que o ser se prostra
E mbevecido no transparecer
N egativando-se à realidade
T endo, no entanto, a longevidade,
A sapiência de um conhecer.

E assim passamos por vital estágio!

U m talismã eu fiz do meu presságio
M inha vontade imensa de viver.

A dmirei, sagrados e profanos,
N o meu viver de cidadão comum
O tempo passa e meus tantos anos
S ensibilizam-me, setenta e um!


sábado, 26 de outubro de 2013

UMA PRIMEIRA VEZ (Carlos Celso Uchôa Cavalcante)

UMA PRIMEIRA VEZ

(Carlos Celso Uchôa Cavalcante=23/outubro/2013)


Jamais esqueci a tez
Da morena cor do jambo
No romantismo de um mambo
Foi nossa primeira vez.

Perdi minha sensatez
No momento em que dançávamos
Ambos, ternos, nos olhávamos,
Senti sua timidez.

Extasiada, talvez,
Segurou em minha mão
Esboçando um sorriso.

Nos fomos, sua nudez,
Na cama, em frenética ação,

Levou-me a um paraíso.

LÁGRIMAS RETIDAS (Carlos Celso Uchôa Cavalcante)

LÁGRIMAS RETIDAS

(Carlos Celso Uchôa  Cavalcante=23/outubro/2013)


As lágrimas que não chorei
Que escondi ao fingir que era forte
Certamente no dia em que a morte
Buscar-me, elas, todas chorarei.

Esse pranto que no ego guardei
Afogando as mentiras que ouvi
Inundadas nas dores que senti
Quando a morte ao chegar, derramarei.

Com a falta de reciprocidade
Ao amor que na vida devotei
Às pessoas que não souberam amar.

Numa nau de mentira e falsidade
Pela vida inteira naveguei
Nessas lágrimas em que vou naufragar.


domingo, 6 de outubro de 2013

MINHA POTRA (Carlos Celso Uchôa Cavalcante=04/outubro/2013)

MINHA POTRA

(Carlos Celso Uchôa Cavalcante=04/outubro/2013)


Esbelta potra de belo trotar,
Anca robusta, sempre que a vejo,
Sinto-me louco para cavalgar
Sobre esse dorso, cheio de desejo.

Suavemente alisar-te a crina
Fazer sentires as carícias minhas
Chamar-te, com carinho, de menina,
Criar volúpias, mesmo que mesquinhas.

Vejo-te assim, nos doces devaneios,
Nas fantasias que a mente cria
A abortar os meus febris anseios.

Se cavaleiro não posso domá-la,
Quisera, minha potra,  algum dia,
Como teu potro, eu puder amá-la.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

SILUETA DOS QUADRIS (Carlos Celso Uchôa Cavalcante=02/outubro/2013)

SILUETA DOS QUADRIS

(Carlos Celso Uchôa Cavalcante=02/outubro/2013) 


A silueta lateral dos teus quadris
Deixa-me atônito, incólume, mas perplexo,
Ao contemplar esses traços tão sutis
Das belas curvas do seu côncavo e seu convexo.

Um pensamento frívolo, antiético,
Vai construindo-se na minha mente
Fazendo, em mim, nascer assim frenético,
Esse desejo louco, inconsequente.

Esse teu corpo mostra-me a beleza
Que é traduzida em forma do pecado
Que peja em mim nos desejos febris.

Sublime ícone, na natureza,
Não me contenho, sonho acordado,
Com a silueta desses teus quadris.



segunda-feira, 9 de setembro de 2013

DEIXE-ME CHORAR (Carlos Celso Uchoa Cavalcante=08/setembro/2013)

DEIXE-ME CHORAR

(Carlos Celso Uchoa Cavalcante=08/setembro/2013)


Deixe-me chorar, buscar meu pranto,
Que lá dentro do ego se esconde
Porque meu sofrimento não responde
À suplica em que eu clamo tanto?

Não posso dispersar uma razão
Desse bloqueio que meu ser contunde
A dor que me tortura se confunde
Com o sentimento do meu coração.

Deixe-me chorar, verter a dor,
Que jorra da pujança de um amor
Que veio o meu ser dilacerar.

Sou fragmento que não tem enxerto
Tornei-me triste, reles, sem conserto,

Portanto, apenas, deixe-me chorar. 

DESPEDIDA (Carlos Celso Uchoa Cavalcante=29/agosto/2013)

DESPEDIDA

(Carlos Celso Uchoa Cavalcante=29/agosto/2013)


Um coração que envelhecido bate lento,
Talvez casando, fugitivo da cadência,
No esconderijo de um peito em sofrimento
Paira no tempo aguardando a iminência.

Essa que é inevitável realidade
Entre as tantas conjunturas de uma vida
Quando enfim atingimos alta idade
O nosso foco visa a cruel despedida.

Não quero ir, mas terei que ir um dia,
E nessa ida não levarei nostalgia
Porque dali os meus instintos se dissipam.

Talvez, quem sabe? Para aqueles que aqui ficam,
E que da minha convivência abdicam

Fique a saudade que eu deixar naquele dia.