quarta-feira, 17 de novembro de 2010

E R M O

Carlos Celso-CARCEL (17/novembro/2010)

No silêncio ecoa o meu grito,
sinto-me aposto no meu púlpito,
quem sabe? eu escute, assim, de súbito,
a resposta vinda lá do infinito!

Perguntas engasgadas, a garganta;
a mente confusa já quase insana,
índole que o próprio ser profana
nas induções que a mentira acalanta.

Passado, tempos idos, inocência!
ávidas lembranças de decência
a misturar-se ao presente iníquo.

Hoje um modernismo se mistura
com o degredo de nação futura
onde o devir poderia ser profícuo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

SONETO MACABRO

Carlos Celso-CARCEL (16/novembro/2010)

Vejo-a de perto, vindo, sorrateira,
busco coragem, tento ser um forte,
mas quem o é? se quando chega, a morte
não nos avisa, ela é traiçoeira!

Exuberante vida com alarde
eu pude ter, mas nunca imaginando
que ela, um dia, fosse assim chegando
furtivamente, cruel e covarde.

Realidade! em nada me iludo,
sei que não há para defesa escudo,
mas, mesmo assim, pra sí caminho não abro.

Que demorasse a chegar, quisera!
enquanto eu aqui nessa quimera
vou rabiscando um soneto macabro.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

DESTRUTORES

Carlos Celso-CARCEL (12/novembro/2010)

Quando o perjúrio gera autoridade
com a vaidade vem a prepotência
ícones fortes da incompetência
inimigos fatais da humildade.

Falso poder tenta impor domínio
aniquilando quem é subalterno
contrastando com o ato de fraterno
no seu desejo louco de extermínio.

Julgam-se únicos racionais
divergindo de outros animais
um falso mundo para sí constroem.

Por inocência ou ignorância,
não sei! não sabem! pela arrogância
todos os maus e males se destroem.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

AH! SE EU PUDESSE

Carlos Celso-CARCEL (09/novembro/2010)

Ah!
se eu pudesse reviver o meu passado;
hoje cansado
de emoções e controvérsias,
as peripécias
deixaram-me definhado
e atirado...
sobre o colo da inércia.

Vejo, ainda, o crepúsculo do dia,
a poesia...
o anseio pela noite!
sinto, ainda, no meu rosto o açoite
da brisa, suave;
mas é só melancolia!

São tantas coisas que a mente me faz ver
e reviver
como eu fosse um ser alado!
ah...
se eu pudesse realmente voar alto
e a felicidade em sobressalto
fizesse-me reviver o meu passado!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

TENDÊNCIAS

Carlos Celso-CARCEL (08/novembro/2010)

Eu vejo a vida através de outras vidas;
são tantas vidas!
um universo de tendências variadas...
diversificadas!
não...
não imito-as,
não copio-as,
não vivo-as,
tenho a minha!

Os preceitos,
os conceitos,
os meus direitos
me permitem corrigir alguns defeitos,
não somos perfeitos!

Ele o foi
e se foi!

mas...

deixou por galardão a sapiência,
com livre arbítrio
mas também o poder da consciência.

Quem somos nós?

Somos criação divina!

O livre arbítrio é o que nos predestina
a sermos o que somos,
o que fomos?

Já é ido...

Ele se foi mas me deixou redimido,
limpo,
lavado de tudo que pequei!

Não sei...

Porque tanta bondade virou ira?
a desonestidade,
a inveja,
a mentira,
o desamor em tantos corações.

Eu vejo a vida através de outras vidas
e aquelas máculas
eu jamais fiz esquecidas
eu vivo a vida em constantes emoções.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

MEU ANIVERSÁRIO

Carlos Celso-CARCEL (04/novembro/2010)

Mais um ano percorrí
por estradas longínqüas,
retas ou tortuosas,
planas ou declivadas

Eu andei!
caminhei...

Sentindo a maciez sob meus pés!
também...
sobre pedras e espinhos,
solo seco ou encharcado,
poeiriços ou lamaçais

Eu pisei!

Décadas passaram-se!
como um carrossel louco,
o tempo,
nele viajei!

Me fiz companheiro da felicidade
...e da infelicidade!
travei batalhas
algumas ganhei
outras perdí
mas não desistí,
não perdí a guerra!

Aqui estou
hoje...

Num mundo misto de sonhos e fantasias,
mas...
em meus dias
vejo um horizonte
a me sorrir
a me mostrar
a bagagem flutuante que me acompanhou
traduzindo um universo de experiências
o meu,
o seu,
este é o meu horizonte!

Perdas e ganhos,
acertos e erros,
um pouco da inocência que se renova.

Viví!
vivo!
hoje é meu aniversário!

Até quando?

Parabens à mim mesmo,
à vida...
ao tempo!...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

DIA DE FINADOS

Carlos Celso-CARCEL (02/novembro/2010)

Hoje, dia de finados,
a memória retrocede
muitas lembranças concede
dos meus convívios passados.

Inagino estar comigo
meus queridos ancestrais
bisavós, avós e pais
cada parente ou amigo.

Nada a ver com sectário
tem o meu imaginário!
a irreal emoção...

Tem um sentido obtuso
nesse desejo confuso
que sai do meu coração.