terça-feira, 19 de abril de 2011

ENTUSIASMO

Carlos Celso-CARCEL (19/abril/2011)

Essa imaginação no invisível
vendo-a perto sem estar aqui
o cheiro inebriante que senti
fez esse meu momento indescritível!

Usei meu tato para procurar-te
mas me perdi num imenso vazio
inerte o meu ser ficou sombrio
no âmago por não poder tocar-te.

Um oceano se abriu de repente
e entre as ondas dessa ilusão
eu imergi meu todo incoerente!

Pensei haver lavado tudo enfim
mas uma ferida no meu coração
faz que ainda eu permaneça assim.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

UM SONHO

Carlos Celso-CARCEL (15/abril/2011)

Dormia...
quando te vi irradiante, bela,
semblante sério, debruçada à janela
daquela casa simples,
naquela rua simples,
numa cidade simples
onde eu passava.

Pasmava!...

Senti perder as forças do andar
com passos lentos comecei vagar
naquele ambiente tão singelo
onde tudo era belo!
talvez, ali, fosse a nascente da natura;

Tua candura...
sutilmente da tua face morena
irmanada ao aroma da açucena
emanava...
embriagava
no suave deleite do meu sonho

Suponho!
que não há nada mais lindo
estavas séria
imagino-a sorrindo
não pude ver porque quando tentei
chegar a ti
então me acordei
desta viagem
do meu insólito sonho.

domingo, 3 de abril de 2011

MEU CIRCO

Carlos Celso-CARCEL (03/abril/2011)

Armei meu corco ao te conhecer,
tornei-me, então, em um palhaço;
faltou talento, hoje meu cansaço,
dentro do nada, faz-me perceber.

A descendência formou a platéia,
vasta até, que a tudo assistiu
em um passado rude que auferiu,
a mim, somente mágoa e cefaléia.

Interesseira! fui um imbecil
no meu bom senso, transformei-me em vil
palhaço que nem teve picadeiro.

Um circo imaginário que desaba
com uma vida que aos poucos se acaba
leva também meu amor verdadeiro.

terça-feira, 29 de março de 2011

INFORTÚNIO

Carlos Celso-CARCEL (29/março/2011)


Cara lacada por tanto desgoto
mórbido semblante refém da mágoa
não sei se minha lágrima enxágua
as doloridas manchas do meu rosto.

Fui construtor de um castelo lindo
nesse castelo inserí amor
meu brio tentou ser imperador
mas a desdita destruiu sorrindo.

Tinha regato, água transparente
a passarada, num jardim, contente
um colorido imenso do floral.

Hoje não vejo nada que eu via
na minha incontida fantasia,
só vejo água suja, lamaçal.

terça-feira, 15 de março de 2011

CISMA DA MORTE

Carlos Celso-CARCEL (15/março/2011)


Estou indo-me, não sei quando, mas estou;
já sinto uma mão puxar-me forte,
não sei! mas imagino seja a morte
aniquilando-me no pouco que restou!

Nasci, tive um espaço outorgado
com meu arbítrio, para fazer escolhas
tal como um pingo de orvalho sobre folhas
a enfrentar as intempéries do passado.

Eu vivi as fases diversificadas,
situações de amor ou profanadas
mas procurei no bem me inspirar.

Com meus decênios fui envelhecendo,
vi tantas coisas boas perecendo
e hoje sinto a morte me espreitar!

domingo, 6 de março de 2011

MÁ COLHEITA

De tudo que na vida eu plantei
só percebi o bom que foi colhido,
hoje de um plantio envelhecido
vivo a colher o que ignorei.

Do fruto doce sinto azedume,
vejo das plantas cairem folhagem,
o belo transformou-se em miragem,
olho a flor e não sinto seu perfume.

Um castelo de sonhos que ergui,
com a realidade do hoje demoli
e fiquei à mercê dos seus escombros.

Foram muitos meus erros, e ileso
não fiquei a ferida é este peso
da desdita que trago sobre os ombros.


(06/março/2011)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

L O U C O ?

Para ser louco não precisa atirar pedra,
rasgar dinheiro ou degustar excremento;
ter os neurônios em constante sofrimento
é a razão em que minha loucura medra.

Sinto, às vezes, o meu ego pouco a pouco
se definhando em reflexos da vida,
sem os buscar; situação indefinida
faz-me pensar, se é que penso! que sou louco.

Raciocino; sei! não sou psicopata;
busco entender o que o cérebro relata,
ou sou? e a mim mesmo engano?

Acho que não! assim o meu raciocínio
por certo estaria em declínio
e eu seria verdadeiramente insano.

(09/fevereiro/2011)